eu sou água que bate leve, forte
com carinho no olhar
mas também sinto dor
deixo o tempo passar
deixo a água curar
sábado, 23 de março de 2013
terça-feira, 19 de março de 2013
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Florianópolis
Saudades de Florianópolis 'Manifesto do Verão 2013'
por Felipe Lenhart
Florianópolis, saio de férias esta semana, e espero te reencontrar. Já faz mais de uma década que tu perdeste e não achaste mais o rumo do teu rancho, deixaste apagar a chama da tua pomboca, largaste de mão as rendas e a tarrafa num canto e abandonaste a tua baleeira ao sabor das ondas. Te emperiquitaste toda, ganhaste um vestido aqui, um day spa ali, levaram-te para um salão de beleza chique, até plásticas andaste fazendo, tu que és linda de nascença, por natureza, beleza sem par. Só andas de carro importado, estás irreconhecível. Mas eu tenho esperança de tornar a te ver nua, sem lenço e sem maquiagem durante esse período em que irei passear pelos teus cenários.
Ora, de repente, viraste a Ilha da Magia, título que faz jus à tua história, ao teu folclore e à personalidade da tua gente, embora tenha te deixado faceira além da conta. Depois, alguém te nomeou Capital Turística do Mercosul, sem que jamais tenhas te preparado para isso, demonstrado competência para exercer o cargo. Daí para frente, foste de elogio em elogio, de rapapé em rapapé, de declaração fulgurante em declaração fulgurante. E hoje estás aí, esnobe e orgulhosa, metida e provinciana como nunca.
Pudera. O assédio é implacável, e tu te deixaste levar. Jornais e revistas passaram a te paparicar como a uma estrela, e gente de todo o Brasil começou a falar de ti publicamente. O dia contigo. Uma tarde contigo. Uma noite dos deuses contigo. Um feriado de cinema contigo. Uma temporada inesquecível contigo. Viraste a capital mais invejada do Brasil, como se tu brilhasses dia e noite, não tivesses indisposições, achaques, dores de cabeça e de ouvido. O mundo olhava para ti e via a mulher dos sonhos. Floripa: #partiu.
Então, começaste a inchar. A comer de glutona, sem fome, e a beber como nunca, sem sede. A viver de salto alto, caminhando entre prédios cada vez maiores e numerosos, quando querias mesmo era andar descalça sobre a areia do mar. A sair dia e noite, num ritmo frenético, quase mecânico, que ofuscou o teu olhar e embruteceu a tua sensibilidade. Até as tuas praias, que o teu povo aprendeu na escola serem 42, viraram uma centena. E te perdeste.
Gente rica veio morar na tua região e a te transformar na marra em gente rica como eles. Bares, restaurantes e hotéis foram sendo abertos e fechados, um seguido do outro, até que a máquina engrenou. Te imaginaste Punta, Saint-Tropez, Ibiza, passaste a chamar berbigão de vôngole, a derrubar bar de praia e a erguer beach club, a preferir piscina à lagoa, os teus condomínios começaram a se comunicar em francês e inglês. Pegaste fama de mulher Classe A, que só se interessa por jogadores de futebol, traficantes milionários, pilotos de fórmula 1, políticos Don Juan, atores e DJs. Todos vestidos de branco e dourado, desfrutando uma interminável sunset party isenta de fiscalização e imposto de renda.
Não tens terminais de ônibus decentes, um sistema de transporte coletivo que funcione, mas reclamas marinas para aportares as tuas lanchas e os teus iates. Tu, que eras a cidade das bicicletas, dos campinhos e dos ônibus pontuais, em que motorista conhecia passageiro, que conhecia cobrador, viraste um lugar do carro, para o carro, pelo carro, de avenidas mal desenhadas, viadutos improvisados, semáforos que não conversam, ciclovias que levam do nada a lugar nenhum, operações tapete preto. As tuas praias estão cheias de lixo, os motoristas cada vez mais desrespeitosos, a tua gente cada vez menos educada.
Aos poucos, a convivência entre os teus foi arruinada. Os teus festejos de bairro minguaram, porque as pessoas começaram a se matar aos socos e às facadas e aos tiros. As festas municipais foram enclausuradas dentro de "centros de eventos", como em "cidades grandes", com uma dinâmica excludente, elitista, e já ninguém lhes dá a mínima - e aqueles que apostavam tudo nelas, a tua gente mais precisada, ficou a ver canoas, entregue à intempérie econômica, sem pulseirinha, área VIP, cortesia, camarote, listas bônus.
Mas então veio esse memorável carnaval de 2013, em que, mesmo sob atentados, incêndios e tensão, o teu povo voltou à praça como antigamente, todo mundo junto e misturado, batendo tambores e recordes de presença e de alegria. Eu pego o embalo e saio de férias, confiante de que irei te reencontrar.
Vou, por exemplo, àquele canto esquecido das dunas dos Ingleses para ver se estás por ali, estendendo redes de pesca com os nativos ou descendo as ondas de areia em cima de caixas plásticas besuntadas de vela. Subirei o costão esquerdo do Santinho para que, juntos, relembremos a época em que os costões eram virgens e livres de especulação imobiliária. Vou saltar para dentro de um barco e ir até a Ilha do Campeche batendo papo com o pescador sobre a escassez atual que grassa nesse marzão que te circunda. Vou tomar banho em praias que, ao se verem livres de turistas e visitantes, nos presenteiam com a água mais verde-cristalino de que se tem notícia. Vou marchar até a Lagoinha do Leste e lá dormir uma noite, para ver se te escuto cantar numa roda de violão à luz da fogueira...
Vou, enfim, passear pelas tuas entranhas, para ver se te reencontro, pois já estou com saudades.
........................................
* Um pouco de Florianópolis pra entender o que é ser um Manezinho.
por Felipe Lenhart
Florianópolis, saio de férias esta semana, e espero te reencontrar. Já faz mais de uma década que tu perdeste e não achaste mais o rumo do teu rancho, deixaste apagar a chama da tua pomboca, largaste de mão as rendas e a tarrafa num canto e abandonaste a tua baleeira ao sabor das ondas. Te emperiquitaste toda, ganhaste um vestido aqui, um day spa ali, levaram-te para um salão de beleza chique, até plásticas andaste fazendo, tu que és linda de nascença, por natureza, beleza sem par. Só andas de carro importado, estás irreconhecível. Mas eu tenho esperança de tornar a te ver nua, sem lenço e sem maquiagem durante esse período em que irei passear pelos teus cenários.
Ora, de repente, viraste a Ilha da Magia, título que faz jus à tua história, ao teu folclore e à personalidade da tua gente, embora tenha te deixado faceira além da conta. Depois, alguém te nomeou Capital Turística do Mercosul, sem que jamais tenhas te preparado para isso, demonstrado competência para exercer o cargo. Daí para frente, foste de elogio em elogio, de rapapé em rapapé, de declaração fulgurante em declaração fulgurante. E hoje estás aí, esnobe e orgulhosa, metida e provinciana como nunca.
Pudera. O assédio é implacável, e tu te deixaste levar. Jornais e revistas passaram a te paparicar como a uma estrela, e gente de todo o Brasil começou a falar de ti publicamente. O dia contigo. Uma tarde contigo. Uma noite dos deuses contigo. Um feriado de cinema contigo. Uma temporada inesquecível contigo. Viraste a capital mais invejada do Brasil, como se tu brilhasses dia e noite, não tivesses indisposições, achaques, dores de cabeça e de ouvido. O mundo olhava para ti e via a mulher dos sonhos. Floripa: #partiu.
Então, começaste a inchar. A comer de glutona, sem fome, e a beber como nunca, sem sede. A viver de salto alto, caminhando entre prédios cada vez maiores e numerosos, quando querias mesmo era andar descalça sobre a areia do mar. A sair dia e noite, num ritmo frenético, quase mecânico, que ofuscou o teu olhar e embruteceu a tua sensibilidade. Até as tuas praias, que o teu povo aprendeu na escola serem 42, viraram uma centena. E te perdeste.
Gente rica veio morar na tua região e a te transformar na marra em gente rica como eles. Bares, restaurantes e hotéis foram sendo abertos e fechados, um seguido do outro, até que a máquina engrenou. Te imaginaste Punta, Saint-Tropez, Ibiza, passaste a chamar berbigão de vôngole, a derrubar bar de praia e a erguer beach club, a preferir piscina à lagoa, os teus condomínios começaram a se comunicar em francês e inglês. Pegaste fama de mulher Classe A, que só se interessa por jogadores de futebol, traficantes milionários, pilotos de fórmula 1, políticos Don Juan, atores e DJs. Todos vestidos de branco e dourado, desfrutando uma interminável sunset party isenta de fiscalização e imposto de renda.
Não tens terminais de ônibus decentes, um sistema de transporte coletivo que funcione, mas reclamas marinas para aportares as tuas lanchas e os teus iates. Tu, que eras a cidade das bicicletas, dos campinhos e dos ônibus pontuais, em que motorista conhecia passageiro, que conhecia cobrador, viraste um lugar do carro, para o carro, pelo carro, de avenidas mal desenhadas, viadutos improvisados, semáforos que não conversam, ciclovias que levam do nada a lugar nenhum, operações tapete preto. As tuas praias estão cheias de lixo, os motoristas cada vez mais desrespeitosos, a tua gente cada vez menos educada.
Aos poucos, a convivência entre os teus foi arruinada. Os teus festejos de bairro minguaram, porque as pessoas começaram a se matar aos socos e às facadas e aos tiros. As festas municipais foram enclausuradas dentro de "centros de eventos", como em "cidades grandes", com uma dinâmica excludente, elitista, e já ninguém lhes dá a mínima - e aqueles que apostavam tudo nelas, a tua gente mais precisada, ficou a ver canoas, entregue à intempérie econômica, sem pulseirinha, área VIP, cortesia, camarote, listas bônus.
Mas então veio esse memorável carnaval de 2013, em que, mesmo sob atentados, incêndios e tensão, o teu povo voltou à praça como antigamente, todo mundo junto e misturado, batendo tambores e recordes de presença e de alegria. Eu pego o embalo e saio de férias, confiante de que irei te reencontrar.
Vou, por exemplo, àquele canto esquecido das dunas dos Ingleses para ver se estás por ali, estendendo redes de pesca com os nativos ou descendo as ondas de areia em cima de caixas plásticas besuntadas de vela. Subirei o costão esquerdo do Santinho para que, juntos, relembremos a época em que os costões eram virgens e livres de especulação imobiliária. Vou saltar para dentro de um barco e ir até a Ilha do Campeche batendo papo com o pescador sobre a escassez atual que grassa nesse marzão que te circunda. Vou tomar banho em praias que, ao se verem livres de turistas e visitantes, nos presenteiam com a água mais verde-cristalino de que se tem notícia. Vou marchar até a Lagoinha do Leste e lá dormir uma noite, para ver se te escuto cantar numa roda de violão à luz da fogueira...
Vou, enfim, passear pelas tuas entranhas, para ver se te reencontro, pois já estou com saudades.
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* Um pouco de Florianópolis pra entender o que é ser um Manezinho.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
equilíbrio
Equilíbrio é a habilidade de olhar para a vida a partir de uma perspectiva clara - fazer a coisa certa no momento certo.
Uma pessoa equilibrada será capaz de apreciar a beleza e o significado de cada situação seja ela adversa ou favorável.
Equilíbrio é a habilidade de aprender com a situação e de prosseguir com sentimentos positivos. É estar sempre alerta, ser totalmente focado, e ter uma visão ampla.
Equilíbrio vem do entendimento, humildade e tolerância. O mais elevado estado de equilíbrio é voar livre de tudo e, ainda assim, manter-se firmemente enraizado na realidade do mundo.
(Brahma Kumaris)
Uma pessoa equilibrada será capaz de apreciar a beleza e o significado de cada situação seja ela adversa ou favorável.
Equilíbrio é a habilidade de aprender com a situação e de prosseguir com sentimentos positivos. É estar sempre alerta, ser totalmente focado, e ter uma visão ampla.
Equilíbrio vem do entendimento, humildade e tolerância. O mais elevado estado de equilíbrio é voar livre de tudo e, ainda assim, manter-se firmemente enraizado na realidade do mundo.
(Brahma Kumaris)
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
escrita
por Flávia Muniz Cirilo
Para escrever poemas é preciso despir-se dos olhos alheios e das farpas.
Para não escrevê-los basta enganar o silêncio com invenções às avessas.
Para manter-se mudo não há segredos: engane a si mesmo.
(E) quando não aguentar mais o engano solte as palavras famintas e as deixe devorar o branco ávido dos papéis.
Para escrever poemas é preciso despir-se dos olhos alheios e das farpas.
Para não escrevê-los basta enganar o silêncio com invenções às avessas.
Para manter-se mudo não há segredos: engane a si mesmo.
(E) quando não aguentar mais o engano solte as palavras famintas e as deixe devorar o branco ávido dos papéis.
sábado, 19 de janeiro de 2013
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
ô menino
ele jogava xadrez
talvez falasse francês
era doce
as vezes dengoso
na maioria das vezes
atencioso
gostávamos de passear
andar por aí
a cidade era nova
pra ele e pra mim
gostávamos de ir a pé
as vezes sentava no bar
ele tomava cerveja
eu tomava café
ele não muito quieto
ele muito inquieto
e eu com toda estranheza
trocávamos confidências
ele me falava de dores
eu falava de sorte
ele (já) sabia do mundo
e eu me achava tão forte
ele fazia cursinho
eu já fazia balé
ele já era sozinho
e eu tomava café
ele gostava de gente
eu gostava de dança
ele me conhecia
e a gente anoitecia
ele me conhece
e a gente ainda anoitece
.......................
pra quando a saudade vem... pra qualquer um, qualquer hora
talvez falasse francês
era doce
as vezes dengoso
na maioria das vezes
atencioso
gostávamos de passear
andar por aí
a cidade era nova
pra ele e pra mim
gostávamos de ir a pé
as vezes sentava no bar
ele tomava cerveja
eu tomava café
ele não muito quieto
ele muito inquieto
e eu com toda estranheza
trocávamos confidências
ele me falava de dores
eu falava de sorte
ele (já) sabia do mundo
e eu me achava tão forte
ele fazia cursinho
eu já fazia balé
ele já era sozinho
e eu tomava café
ele gostava de gente
eu gostava de dança
ele me conhecia
e a gente anoitecia
ele me conhece
e a gente ainda anoitece
.......................
pra quando a saudade vem... pra qualquer um, qualquer hora
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
sábado, 5 de janeiro de 2013
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Feliz Ano Novo
- paz, amor, saúde, prosperidade, esperanças -
Que a gente possa ser mais irmão, mais amigo, mais filho e mais pai ou mãe, mais humano, mais simples, mais desejoso de ser e fazer feliz.
(Lya Luft)
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
desejos
Se a gente gostasse mesmo do conforto, a gente não saia da barriga da nossa Mãe!? Mas a gente nasce, a gente tem vontades, desejos, a gente é um bicho... e isso é tão bonito.
(Mallu Magalhães)
(Mallu Magalhães)
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
sábado, 22 de dezembro de 2012
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Titia
Daggo, o Pai do Ano! Muito feliz, meu irmão será Pai, e segundo ele mesmo me disse, fiquei pra Titia. Essa criança terá a Tia mais feliz que ela já conheceu na vida! Ô notícia boa! Parabéns ao lindo casal Daggo e Marcela! Desejo muitas felicidades e saúde sempre!
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